Jane Karenina, uma cabra que tinha ambição
“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”.
Das muitas vezes que Jane Karenina ouviu esta clássica frase, a última foi a mais marcante, porque foi-lhe dita por um narrador onisciente: eu mesmo. Como todo ser onisciente, sei tudo sobre todas as coisas, menos matemática. E sei que não é de bom tom citar em profusão frases célebres de autores famosos, mas não me contenho. Duvida? “In dubio, pro reo”, ora, ora. E mando outra, agora para o responsável por Jane Karenina, o camponês Abraão:
- Toma uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.
- Por que, cazzo?
- Porque... porque... porque... (droga!)
Nisso, Jane fugiu. Eu deveria saber...
Antes de falarmos sobre o destino de Jane Karenina, vamos falar um pouco sobre o seu passado? Espera... Estou lembrando... Este seu passado, hein? É melhor falarmos sobre o passado de Jane Karenina que, ao menos, era conservadora.
Jane Karenina era uma cabra. Sua família, como as brasileiras, mantinha os quatro pés no chão. Isso irritava a pequena Jane, que sonhava alto: “Eu quero brilhar, quero brilhar!” Os parcos recursos de Abraão, seu criador, não lhe permitiam realizar o sonho de Jane. O máximo que pôde fazer foi comprar-lhe 8 frascos de meio litro de Listerine, totalizando... totalizando... 8... vezes...1/2... isso dá... dá... (droga!)... pô, dá litros à beça de Listerine! “Jane, seus dentes vão brilhar”, disse Abraão, melancolicamente. E este foi todo o passado remoto de Jane Karenina, porque apesar de onisciente, ando tendo lapsos de memória cada vez mais freqüentes. Ou menos, não lembro agora...
Depois de fugir do sacrifício que eu havia imposto a Abraão e magoada com seu antigo tratador, Jane partiu para o Egito, lugar tão fantástico e fantasioso que eu até duvido que exista. Sua jornada levou quarenta dias, dias sofridos e arredondados (quanto dá cinco semanas e meia em dias?). “Se o mundo lhe dá limões, faça uma limonada”, ela pensava. Em sua pequena algibeira, os frascos de Listerine garantiram sua sobrevivência durante o percurso, o que lhe rendeu um belo diferencial estético: dentes brancos e hálito puro. O primeiro a notar tal qualidade foi o bárbaro Alexei, um gladiador assírio de alma gentil que gostava muito de animais. Mas assim, ele gostava MUITO de animais. E tinha um passado que... putz, este eu queria não lembrar... Mas seduzido pela ambiciosa Jane, casou-se. No Egito isso era comum à beça durante o carnaval.
Alexei, o bárbaro, investira boa parte de seus ganhos como gladiador em terras. Comprou um pedaço de chão no Oriente e ali decidiu criar cabras para formar um harém. Eu sabia, tanto que um dia, resolvi lhe fazer uma surpresa e estreei o microfone que usaremos no Erratacast e lhe disse:
- Toma uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.
Alexei tomou um susto tão grande, que desenvolveu uma gota que o matou. Nunca havia ouvido um narrador onisciente antes. Esses bárbaros de pouca fé... Já Jane, viúva rica e magoada com seu finado e polígamo marido, fugiu novamente, mas com as escrituras das terras. Eu deveria saber...
O que não lembro é o que aconteceu com Jane durante os anos seguintes. Só me lembrei dela porque anteontem vi uma reportagem na CNN sobre a guerra no Iraque que tratava sobre os barões do petróleo daquele país. Dentre eles, havia uma excêntrica cabra que, segundo a matéria, investia pesadamente em ferrovias no Oriente Médio e que tinha prazer especial pelas artes dramáticas, tanto que era a maior estrela iraquiana de musicais e comédias românticas do cinema nacional. Era Jane Karenina, já não tão conservadora mas linda como sempre, com seu gingado quadrúpede e aquele fogo nos olhos, cintilando de ambição. E brilhavam como estrelas, aqueles dentes... Ao olhar para eles, lembrei-me que alguns fenômenos astronômicos tais como eclipses, conjunções planetárias e aparecimento de cometas de curto período são cíclicos e que, com isso, podemos saber com precisão suas datas de ocorrência através de cálculos matemáticos. O problema é que eu não sei como fazê-los... (droga!)
E este é o destino de Jane Karenina. Mas eu já sabia, só não lembrava direito.
Das muitas vezes que Jane Karenina ouviu esta clássica frase, a última foi a mais marcante, porque foi-lhe dita por um narrador onisciente: eu mesmo. Como todo ser onisciente, sei tudo sobre todas as coisas, menos matemática. E sei que não é de bom tom citar em profusão frases célebres de autores famosos, mas não me contenho. Duvida? “In dubio, pro reo”, ora, ora. E mando outra, agora para o responsável por Jane Karenina, o camponês Abraão:
- Toma uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.
- Por que, cazzo?
- Porque... porque... porque... (droga!)
Nisso, Jane fugiu. Eu deveria saber...
Antes de falarmos sobre o destino de Jane Karenina, vamos falar um pouco sobre o seu passado? Espera... Estou lembrando... Este seu passado, hein? É melhor falarmos sobre o passado de Jane Karenina que, ao menos, era conservadora.
Jane Karenina era uma cabra. Sua família, como as brasileiras, mantinha os quatro pés no chão. Isso irritava a pequena Jane, que sonhava alto: “Eu quero brilhar, quero brilhar!” Os parcos recursos de Abraão, seu criador, não lhe permitiam realizar o sonho de Jane. O máximo que pôde fazer foi comprar-lhe 8 frascos de meio litro de Listerine, totalizando... totalizando... 8... vezes...1/2... isso dá... dá... (droga!)... pô, dá litros à beça de Listerine! “Jane, seus dentes vão brilhar”, disse Abraão, melancolicamente. E este foi todo o passado remoto de Jane Karenina, porque apesar de onisciente, ando tendo lapsos de memória cada vez mais freqüentes. Ou menos, não lembro agora...
Depois de fugir do sacrifício que eu havia imposto a Abraão e magoada com seu antigo tratador, Jane partiu para o Egito, lugar tão fantástico e fantasioso que eu até duvido que exista. Sua jornada levou quarenta dias, dias sofridos e arredondados (quanto dá cinco semanas e meia em dias?). “Se o mundo lhe dá limões, faça uma limonada”, ela pensava. Em sua pequena algibeira, os frascos de Listerine garantiram sua sobrevivência durante o percurso, o que lhe rendeu um belo diferencial estético: dentes brancos e hálito puro. O primeiro a notar tal qualidade foi o bárbaro Alexei, um gladiador assírio de alma gentil que gostava muito de animais. Mas assim, ele gostava MUITO de animais. E tinha um passado que... putz, este eu queria não lembrar... Mas seduzido pela ambiciosa Jane, casou-se. No Egito isso era comum à beça durante o carnaval.
Alexei, o bárbaro, investira boa parte de seus ganhos como gladiador em terras. Comprou um pedaço de chão no Oriente e ali decidiu criar cabras para formar um harém. Eu sabia, tanto que um dia, resolvi lhe fazer uma surpresa e estreei o microfone que usaremos no Erratacast e lhe disse:
- Toma uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.
Alexei tomou um susto tão grande, que desenvolveu uma gota que o matou. Nunca havia ouvido um narrador onisciente antes. Esses bárbaros de pouca fé... Já Jane, viúva rica e magoada com seu finado e polígamo marido, fugiu novamente, mas com as escrituras das terras. Eu deveria saber...
O que não lembro é o que aconteceu com Jane durante os anos seguintes. Só me lembrei dela porque anteontem vi uma reportagem na CNN sobre a guerra no Iraque que tratava sobre os barões do petróleo daquele país. Dentre eles, havia uma excêntrica cabra que, segundo a matéria, investia pesadamente em ferrovias no Oriente Médio e que tinha prazer especial pelas artes dramáticas, tanto que era a maior estrela iraquiana de musicais e comédias românticas do cinema nacional. Era Jane Karenina, já não tão conservadora mas linda como sempre, com seu gingado quadrúpede e aquele fogo nos olhos, cintilando de ambição. E brilhavam como estrelas, aqueles dentes... Ao olhar para eles, lembrei-me que alguns fenômenos astronômicos tais como eclipses, conjunções planetárias e aparecimento de cometas de curto período são cíclicos e que, com isso, podemos saber com precisão suas datas de ocorrência através de cálculos matemáticos. O problema é que eu não sei como fazê-los... (droga!)
E este é o destino de Jane Karenina. Mas eu já sabia, só não lembrava direito.
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27 Comentários:
"Cabras não têm muitas ambições... é só olhar a cara delas". Comunidade do orkut.
Relação (com a comunidade, não com a cabra)?
Por
Srta.T, às 8:07 AM, abril 09, 2008
Cabras toma ácido.
Por
Anônimo, às 10:23 AM, abril 09, 2008
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Doctor Taliesin, às 5:26 PM, abril 09, 2008
Eu tô pensando em uma resposta pro Taliesin.
...
Melhor não falar nada.
Por
Srta.T, às 7:03 PM, abril 09, 2008
Srta.T, Jane não fazia parte desta comunidade por motivos não tão óbvios, já que não me lembro deles... Pô, "A história perdida de Jane Karenina"! Um dia, quem sabe? Ela vai morrer em breve mesmo...
Drango, entre um singular e um plural existe uma história perdida, concordamos? Mas não é a da Jane. Eu acho...
Doc. Taliesin, Jane Karenina veio de Abraão, mas é evangelho apócrifo. E agradeço; introduzir é meu verbo preferido, mas como falar sobre isso sem ser vulgar? Já sei: ósculos, Srta.T! E larga este notebook e presta atenção na aula, pô!
E doutores, já sei: senha com o procto Karas... Saco, odeio este verbo introduzir...
Amplexos, moçada!
Por
Dr. Banner, às 7:22 PM, abril 09, 2008
Doris Day
Que Sera Sera
When I was just a little girl
I asked my mother, what will I be
Will I be pretty, will I be rich
Here's what she said to me.
Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be.
When I was young, I fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will we have rainbows, day after day
Here's what my sweetheart said.
...
Por
Anônimo, às 8:44 PM, abril 09, 2008
E larga este notebook e presta atenção na aula, pô!
Caramba Dr., vai me f... digo, delatar assim na frente de todo mundo? E sem nem pagar um jantarzinho, ver um filminho...? Sou moça do interior, criada à moda antiga, pô.
Por
Srta.T, às 9:10 PM, abril 09, 2008
OK, OK, OK, morrer de gota não é nada criativo, mas fazer o quê?! Cada um tem seu dia, a sua vez, pô!!!
Por
Anônimo, às 11:30 PM, abril 09, 2008
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Doctor Taliesin, às 11:38 PM, abril 09, 2008
Eu também não me contenho e mando esta célebre frase egípcia:
"Estique suas pernas até onde seu cobertor vai"
A propósito, falando em Jane:
"Cabra manca não tem sesta. E se a tem, pouco lhe presta", já dizia um sábio português qualquer.
Chega!
Por
Sekka, às 12:20 AM, abril 10, 2008
Anna Karenina, madrasta misteriosa, a gente fica sem saber o que ele disse? Sacanagem!!! Espera... Você também é uma narradora onisciente com problemas de memória? Colega!!!
Srta.T, delatei! Sorte sua que o seu professor não visita este blog.
Zé Luiz, eu errei: ele morreu de goat!
Doc. Taliesin, mando resposta hoje! E você é de casa, puxe um banquinho e cante uma canção que continue a frase "Here's what my sweetheart said", pelamordedeus, que sou curioso!
Alice, e a Ana Hickmann? Ela sofre à beça com esta frase egípcia...
Amplexos, erratonautas!
Por
Dr. Banner, às 2:56 AM, abril 10, 2008
"- Toma uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho."
O que o Alexie o bárbaro fez com as cabras, o cordeiro e a novilha nós todos já sabemos, ou imaginamos, já que não somos oniscientes.A minha curiosidade é onde ele enf...Ops!onde ele introduziu a rola e o pombinho nessa história?Espero que não tenha sobrado pra nossa pequena quadrúpede de dentes brilhantes, Karenina.Oh!
Talvez o Doc. Taliesin possa nos contar, hein?
Mania...tsc, tsc, tsc!
Por
Cláudia, às 6:43 PM, abril 10, 2008
Talvez ele possa... Eu, mesmo estando no fundo do poço, não posso.
Por
Dr. Jekyll, às 7:58 PM, abril 10, 2008
dr. jekyll,
possa... poço... posso...
é um trava-línguas de mafagafinhos?
Por
Sekka, às 12:43 AM, abril 11, 2008
A propósito, Doctor Taliesin,
Não se esqueça de divulgar o seu blog para os erratonautas.
=)
Por
Sekka, às 12:44 AM, abril 11, 2008
Todo tímido, este Taliesin... Menos pra Cláudia e pro Jivago, já não é segredo! Espera... Segredo?!? Isso... tem... a ver... com... o... fim... DO MUNDO!
Amplexos preocupados!
Por
Dr. Banner, às 3:06 AM, abril 11, 2008
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Doctor Taliesin, às 9:03 AM, abril 11, 2008
Olha a megalomania, Taliesin.
Citando a Xuca, digo, Xuxa: "Querer, poder e conseguir!"
Por
Srta.T, às 11:21 AM, abril 11, 2008
O Doc. Taliesin além de tímido, agora quer dar uma de desentendido.Ops!
Informação:
Nunca, nunca mesmo, diga "dar uma" para alguém que usa a foto de uma 'Mistress' no avatar...
E a minha pergunta nenhum dos Doutores respondeu, afinal onde entra a rola e o pombinho?
Começo a achar que o Dr.Jekyll tem a resposta e não quer me contar.
Por
Cláudia, às 4:44 PM, abril 11, 2008
Doctor Taliesin, enciumados, o Dr.Albieri, o Dr.Jivago e o Mr.Hyde odiaram o texto do seu blog. Até porque não o viram.
Srta. T, Megalomania não era um jogo de Atari?
Cláudia, a única coisa que eu sei é que você espera, com sinceridade, que não tenha uma piada de baixo calão na minha resposta... Mas só sei disso porque sou bom no jogo da memória.
Por
Dr. Jekyll, às 9:42 PM, abril 11, 2008
Megalomania? Megadrive? Mega top models? Mega giga tera sei lá...
Poste o seu jabá doc Tali.
Por
Anônimo, às 8:49 PM, abril 12, 2008
No Egito era comum casamento com cabras durante o carnaval?
E se for com cabra-macho ou cabra-da-peste?
Por
Maçã Mordida, às 12:13 AM, abril 13, 2008
cof, cof, cof...
cof, cof, cof...
descup
Por
Anônimo, às 10:23 PM, abril 14, 2008
Nóia, você nos deve dinheiro.
Maçã Mordida, isso quem pode responder com propriedade é nosso próximo entrevistado. Pode, mas não sei se vai. Vamos perguntar e por isso, você já nos deve dinheiro.
Cup of cof, você espalhou tudo! Agora, nos deve dinheiro. E esta tosse está estranha. Diga 33.
Amplexos, erratonautas!
Por
Dr. Banner, às 2:28 AM, abril 15, 2008
VIRELANGUE!!!
Tas de riz, tas de rats. Tas de riz tentant, tas de rats tentés. Tas de riz tentant tenta tas de rat tentés. Tas de rats tentés tâta tas de riz tentant.
Por
Anônimo, às 8:43 PM, abril 15, 2008
Si mon tonton tond ton tonton, ton tonton est tondu par mon tonton; si ma tata tâte ta tata, ta tata est tâtée par ma tata.
Por
Anônimo, às 8:46 PM, abril 15, 2008
Ton Tonton et Ton Tata, J'ai vu six sots suçant six cent six saucisses, six en sauce et six cents sans sauce. Où sont mes mafagafinhos? Six saucisses sèches...
Grosses bises!!!
Por
Dr. Banner, às 3:37 AM, abril 16, 2008
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