sábado, maio 30, 2009

ENTREVISTA 171: Graziella Moretto

Entrevista - Graziella Moretto

Padrão de excelência, Graziella Moretto é talentosa, bonita e versátil: cozinheira de mão cheia, também sabe cuidar de crianças, limpar, lavar, passar, trocar lâmpadas, montar armários, instalar chuveiros, abrir pote de azeitonas... Ou seja, é mulher pra casar! É o que pensamos suspirando, enquanto aguardávamos um cafezinho passado na hora em coador de pano. Ainda que tenha todos esses predicados domésticos, Graziella projetou seu nome como atriz – comediante de destaque - em néon vermelho pisca-pisca. Adivinha quem fez a instalação elétrica?

De aprendiza das maiores escolas de arte dramática do país, passou a gran-mestra da comédia stand-up brasileira no espetáculo "Terça Insana". Além disso, contribuiu para o sucesso da maioria das recentes séries nacionais de humor e, por esquecimento, não nos ofereceu açúcar ou adoçante. Atuou em novelas, seriados infantis, longa metragens - dentre eles o indicado ao Oscar "Cidade de Deus" - e só não fez mais porque é brasileira; fosse norte-americana, teria aberto uma franquia de Starbucks e mudaria o logotipo da empresa. “Porque sim”, diria ela.

Mas não é só do significado de seu nome que Graziella é feita. Aliás, qual é o significado de seu nome? E Moretto? Ela também emociona platéias em peças teatrais e ainda arrumou tempo para ser escritora. Chegamos a perguntar ofegantes “Como pode ser tão versátil”? Intimidados por uma furadeira e a pergunta “Ah, já começamos a entrevista”?, ficamos calados e olhamos pra frente.

O que importa é que em tudo em que se meteu, Graziella deu show, inclusive nesta entrevista e apesar das nossas perguntas. Mas sem querer soarmos mal-agradecidos, e decepcionados por achar que era tudo de bom, uma coisa devemos confessar: ô cafezinho ruim esse!

Revista Errata - Teatro, cinema, TV, literatura, internet, maternidade, cozinha chinesa... Como você divide isso tudo, sabendo que a raiz de y é -2 e que a função definida por y(x) é 3x + a = 5x – b. Dê exemplos.
Graziella Moretto -
Do mesmo jeito que a grande parte das trabalhadoras brasileiras: com determinação, alegria, coragem, amor incondicional e uma boa calculadora, afinal não se pode contar muito com os homens; em geral eles não são bons em conta de dividir.

Revista Errata - Você e uma moçada bacana têm tentado (mesmo que de maneira não-intencional) mudar a cara do humor brasileiro, país monocultor nesta seara. Modernizar algo que está tão entranhado no inconsciente coletivo está mais para o balé, ou para o vale-tudo?
Graziella Moretto -
Mudar não é questão de querer, é resultado do encontro entre o que é dito por uns e ouvido por outros. E na quantidade de ruído no caminho entre a voz e o ouvido.

Revista Errata - O brasileiro é um fanático e a maioria tem em mente qual seria a seleção ideal. Na sua opinião e contando apenas com as revelações da última década, quem deveria ser escalado para uma reencarnação do idolatrado programa TV Pirata (incluindo você, é claro)?
Graziella Moretto -
Hum, TV Pirata era mesmo muito bom, não só por causa dos atores, mas os roteiristas também eram a nata dos comediantes inteligentes. Então teríamos que fazer também um banco cheio de roteiristas de altíssimo nível, o que é muito difícil até de imaginar hoje em dia.

Revista Errata - Ironicamente, uma das perguntas mais feitas por nós para cada entrevistado é engraçada; mas também é redundante, o que a torna ainda mais engraçada. O que você nos aconselharia para deixá-la assim, muito mais engraçada?
Graziella Moretto -
Parar de achar que redundância tem graça. Ou então vá escrever pro Zorra Total.

Revista Errata - Não é comum uma atriz migrar com sucesso da publicidade para as artes dramáticas. Mais ainda das artes dramáticas para a política. Você pretende se lançar candidata, como o Arnold?
Graziella Moretto -
Não, eu pretendo agora comprar uma arma e sair por aí exterminando publicitários e diretores de cinema.

Revista Errata - Por falar nisso: Terça Insana. Você já vivenciou alguma na vida real? O Stephen Hawking estava envolvido? Por que?
Graziella Moretto -
A insanidade dominou terças, semanas e meses do meu passado recente. Foi preciso um pai de santo mesmo para destrancar meu caminho.

Revista Errata - Após ter revelado publicamente a marca de nascença que carrega no rosto, houve alguma entrevista que não tenha aproveitado para mencionar esse fato?
Graziella Moretto -
Esta.

Revista Errata - O problema do cinema brasileiro atual é de distribuição: os filmes são feitos, mas poucos são exibidos. Se fossem falados em inglês, não teriam mais chances de chegar ao público?
Graziella Moretto -
I have no idea what you are talking about.

Revista Errata - Algumas semanas atrás eu chorei na Páscoa, porque pensei em Jesus, que não pensa em mim. Você pensa Nele? E em mim?
Graziella Moretto -
Você é que pensa que ele não pensa; você é tão engraçado! Você acha que tudo isso que você pensa sai assim da sua cabeça? Isso é Jesus, meu filho.

Revista Errata - Se o mundo fosse acabar hoje e estivesse presa numa ilha deserta, quais os atuais e futuros projetos de Graziella Moretto?
Graziella Moretto -
Passar um dia bom e tranqüilo ao lado das únicas pessoas que me interessam de verdade. E dar um tiro nas que deviam morrer antes de o mundo acabar só pra terem menos tempo de vida.

Revista Errata - Mande uma energia positiva aos nossos leitores! Mas não vale “Um axé”!
Graziella Moretto -
Você não manda em mim, eu mando se quiser.

BATE-BOLA:
- YouTube
Pra ser perfeito só falta pagar cachê.
- Matrioshkas
Uma coisa de mulher.
- Semáforo de três fases
Deveria vir embutido na gente feito um chip, pra impedir certos impulsos de avançar o sinal pra tudo que não presta.
- Infância
Aquele período lindo da vida onde as pessoas acham que têm que descontar em você todo o mal que fizeram a elas quando eram crianças.
- Kidscone
A vingança das crianças que são educadas por essas pessoas.
- Você é bonita
Divulga por aí.

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sexta-feira, maio 02, 2008

ENTREVISTA 101: Xico Sá

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Xico Sá é um sujeito masculino e multifacetado, sempre cercado por palavras. É escritor, cronista, roteirista, letrista e confeiteiro; escreve limeriques em bolos como ninguém. Das capitanias hereditárias de seu antepassado Mem, sobrou-lhe apenas a calvície. Seus únicos parentes conhecidos são a irmã Sandra e o amigo de Guarabira, mas ele não gosta de falar sobre hereditariedades, nem capitanias.

Jornalista por profissão - ora investigativo, ora cultural, ora, ora – foi responsável por grandes furos jornalísticos e culinários, ganhando várias rifas de frango por sorte e sendo reconhecido com o Prêmio Esso de Jornalismo e Prêmio Folha por competência. É autor prolífico, com oito obras publicadas e com participação como co-autor em outras cinco, além de ter escrito dezenove receitas de bolos. Roteirista do filme "O Deserto Feliz", desde 2005 é também ator esporádico e espasmódico, quando sóbrio. No passado foi groupie - ou “parceiro musical”, como faz questão masculina de frisar - do grupo Mundo Livre S/A e radialista no longínquo país do Cariri, separatista desde que Xico passou a transmitir suas receitas pelas ondas sonoras do sertão.

Atualmente, escreve (alta) literatura disfarçada sob a forma de crônicas futebolísticas às sextas-feiras, no jornal Folha de São Paulo, dia em que também elabora seus melhores bolos. E elaboraria outros mais se a coluna fosse publicada no fim de semana, quando apenas o álcool, as letras, a hereditariedade e uma bananeira lhe fazem companhia em aventuras descritas em seu blog pessoal, “O Carapuceiro”.

Então, um brinde masculino, Xico! E Sá(ravá)!


Revista Errata - Você é uma pessoa muito ativa, inclusive nas relações ditas homossexuais. Entre política, drogas, sexo e futebol, você poderia nos liberar um furo que mataria muito PC Farias de inveja?
Xico Sá -
Rapazes, na minha terra a moral mínima sempre foi essa, de mão única: só é viado quem dá, quem cede o fogareiro, o boga, o fiofó, o oiti... Como fazer, sem um dólar furado no bolso, para assistir aos velhos faroestes ou os tantos Tarzans sem antes comer o baitola, o belo perobo que fazia ponto no cinema, o heróico Eudes do cine Eldorado de Juazeiro? Só se fosse roubando. E entre roubar e abater um viado limpinho, sempre escolhíamos a legalidade, por supuesto. E chega de furos, encerrei a carreira de Bob-Watergate-Woodward-do-Crato numa casa de massagem de Bancoc, Tailândia, anos 90, minutos antes de embarcar com PC Farias para o Brasil.

Revista Errata - Em tempos de biodiesel, e vindo da Catalunha brasileira, você vê o Nordeste como o futuro motor separatista do Brasil?
Xico -
Separar nada, isso é papo de sulista. Vamos ser a grande potência exatamente para inverter o mando, fazer o eixo Rio-SP se curvar mais uma vez diante da Nação Kariri, será um lindo e humilhante massacre. Mas em uma coisa, infelizmente, não vamos poder nos vingar direito: não tem como mandar de volta à Central Globo de Dramaturgia toda a merda que nos enviaram nesses anos todos. Sorry, dotô Roberto Marinho, adonde o sr. estiver.

Revista Errata - O que o jornalismo já lhe rendeu até agora? Você ficou rico escrevendo? Minha vida depende de você... O agiota mal-encarado que me liga todo dia não parece ser lá muito compreensivo.
Xico -
Amigos, quem bebe bem e fode muito mal não tem tempo para ficar rico. Para completar, acho que dinheiro ganho com jornalismo é igual a dinheiro ganho com jogo de azar: a gente tem que torrar mesmo, imediatamente, porque, convenhamos, não se trata de um ofício dos mais honestos e religiosos da face da terra. De qualquer forma... pra comer não, mas pra beber te ponho na mão umas patacas. É só chegar aqui na esquina da Fernando de Albuquerque com a Augusta, distrito da Consolación, San Pablo, daqui não sairás com o fígado impune.

Revista Errata - Você tem um caso bem comovente sobre uma tia com prisão de ventre, mãe de um filho que enriqueceu limpando fossas. O que você acha da liberdade de imprensa, da liberdade jornalística, da Lei Áurea e do caso Luis Nassif versus Revista Veja?
Xico -
Porra, pelo menos essa história familiar da merda começou a me render um romance até decente, tô terminando o danado agorinha. Alias já teria terminado se não fosse a bosta dessas minhas respostas a esta entrevista, mas deixa pra lá, a comédia é essa. Quanto aos jornais,revistas e periodistas envolvidos nas grandes questões nacionais, só tengo um conselho para o distinto público: não compre jornal, minta você mesmo!

Revista Errata - Gelo. Uma hora ele está lá, outra hora não. Mau-caráter?
Xico -
Aí sim, uma questão edificante. Em SP, no verão, pelo menos as tempestades ajudam: basta botar o uísque na janela que a chuva de granizo prepara o nosso drinque. Minha patroa também é do ramo: sempre me recebe com três pedras na mão, para dizer o mínimo, como escrevem os editorialistas da Folha.

Revista Errata - Para trazer o personagem aos tempos modernos, os roteiristas de Hollywood farão Indiana Jones partir em busca de uma virgem no próximo filme. Você não acha uma sacanagem sacrificá-las em nome de deuses pagãos? No roteiro de Deserto Feliz, você privilegiou tais iguarias de destinos semelhantes?
Xico -
Rapaz, se o Paulo Caldas (diretor do filme) dependesse destas mãos calejadas para fazer o filme... o máximo que chegaria era a participar do Festival do Minuto, o certame de micro películas do Sesc São Paulo. Sou totalmente Mobral, analfabeto de pai e mãe em matéria de transformar qualquer coisa em imagem de cinema. Pero, com a ajuda de Caldas,Manuela Dias e Marcelo Gomes (“Cinema,Aspirinas e Urubus”) até que botei uma ou duas putarias na história, principalmente empurrei a desalmada da lolitinha sofrida na raparigagem da vida pro inferno de vez.

Revista Errata - Da sua experiência no convívio com pseudo-celebridades, você escreveu um livro sobre a corrida narcisa tamburella em busca da fama. O que tem de divino na comédia do Big Brother?
Xico -
Sim, escrevi um livro de encomenda para a editora Objetiva,do Rio, que se chama “Divina Comédia da Fama –paraíso, purgatório e inferno de ser uma celebridade”. Até que vendeu bem, mas ninguém ficou com essa miséria em casa, todo mundo vendeu no sebo, inclusive os amigos. Sempre encontro o danado autografado nas calçadas. Eu faria o mesmo. De divino no BBB só o que rende de punhetas para os nossos bravos mão-peludas Brasil afora.

Revista Errata - Jesus optou por transformar água em vinho ao invés de transformá-la em aguardente, o que semanticamente seria muito mais simples. Ao contrário do Pai, que é tímido, Ele não te parece exibido?
Xico -
Sim, eis o momento crucial da humanidade. Ao optar pela viadagem do bom vinho, essa coisa que enche a boca de orgulho dos Renatos Machados da vida e outros exibicionistas e novos-ricos, o cabeludo da cruz criou a confraria mais esquisita do mundo: a dos homens que cheiram a rolha e chacoalham a porra na boca antes de mandar para dentro.

Revista Errata - O mangue beat foi um rótulo criado pela imprensa sulista para definir o indefinível, ou os caras do Chico Science e do Mundo Livre S/A tinham consciência do que estavam fazendo, apesar de você mantê-los em coma alcoólico 90% do tempo?
Xico -
Imagina se com a boa maconha, Cabrobó roots, do começo da década de 90, alguém tinha noção de qualquer coisa no Hellcife. Foi lindo, mas não me pergunte como!

Revista Errata - Xico, quais são seus ídolos? Você acredita no fim do mundo? Qual é o sentido da vida? Quem é Deus? Qual é a solução da pobreza? Qual é o final de Lost? Responda numa só frase e com rimas.
Xico -
Que os ídolos ardam na fogueira
De lenha boa e acesa na cachaça,
Que Deus tome uma e veja a farsa
Que submeteu essa nação fuleira,
Pois a única saída para a massa:
É fazer merda e pedir a saideira!

Revista Errata - Dê um conselho verdadeiro para os futuros jornalistas e conte uma mentira para os nossos leitores.
Xico -
Tudo num só verso de Fred Zero Quatro: jornalistas mortos não mentem.

BATE-BOLA:
- Bananeira:

Fotossíntese do pau.
- Bolsa-Família:
O direito do miserável poder curtir uma ressaca sem ter que ser escravizado às 5 da manhã debaixo de um sol filho da puta de quente.
- Um processo inesquecível:
O do coronel Ubiratan, aquele do massacre do Carandiru. Deus castiga!!!
- Nova literatura brasileira:
Bebe-se pra caralho e escreve-se socialmente, inclusive este escriba caindo aos pedaços, se é que vocês me entendem.
- Cuecas boxer:
Tô dentro até o talo.
- Região sudeste:
É como a linha paulista do metrô e também como o amor: começa no Paraíso e termina na Consolação.

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sábado, março 29, 2008

ENTREVISTA 074: André Abujamra (Karnak)



Contrariando as regras gerais de ortografia, André Abujamra (1965-2008 e contando) é um homem que viaja muito. Perguntamos como anda sua vida e ele respondeu “Estamos adorando Tóquio”. Demos risadas sem entender muito sua resposta, mas ele ainda a complementou com um “Música serve pra isso”! e mergulhou em um minuto de perfurante silêncio.

Enfim, este cara realmente viaja muito. Em sua jornada, André Abujamra (1965-2008 e contando), iniciou sua carreira musical como metade (ou dois terços, depende) da menor big band do mundo, o Mulheres Negras e atingiu a maturidade (ela não se machucou, fiquem tranqüilos) com o Karnak, um grupo que segundo o próprio Abu (comendo bolacha) é “...um frufo que finha fomo fremifa minumar fons e mimimos ne márias memiões no munbo”... Hoje em carreira-solo, assim sozinho, esbarra consigo mesmo de maneira solitária, num mundo isolado acusticamente que reverbera ao som de uma nota só, na combinação do ninguém com ele mesmo.

Utilizando a máxima de que o mundo é um grande palco, André Abujamra (1965-2008 e contando) é um profissional completo. É músico, trilheiro, ator, produtor, diretor e paulista, mas não pára por aí; no exato momento desta entrevista, André Abujamra (1965-2008 e contando) voava entre nuvens passageiras. Para não atrasar nosso cronograma, comemos uva e, depois da chuva, caprichamos no cerol. Com empinadas ágeis, mãos coloridas e pés no chão, cortamos, aparamos e trouxemos para o nosso universo umbigo este infinito de pé, o multifacetado artista André Abujamra (1965-2008 e...)


Revista Errata - Oi, Cibelli! Posso te chamar de Cibelli? Ou é começar a entrevista com o pé esquerdo? (...) Se eu pudesse refazer essa pergunta eu... refaria. Peraí! Cibelli, posso te chamar de Ravengar? Se eu tivesse que errar, você perdoaria?
André Abujamra -
Pode me chamar do que quiser porque, atualmente, neste pseudo-mundo globalizado, ninguém mais sabe nem o que é e nem pra onde a gente vai; tudo que sai sobre mim está errado: dizem que eu sou irmão da Clarisse Abujamra, irmão do Mauricio Pereira... Então me chama do que quiser porque no fim ninguém vai saber se é verdade ou mentira.

Revista Errata - De acordo com um ditado egípcio, a boca de um homem totalmente feliz está cheia de cerveja. De acordo com outro ditado egípcio, todo mundo tem medo do tempo, mas o tempo tem medo das pirâmides. Se misturarmos os dois ditados teríamos algo assim: A boca do mundo de um homem totalmente com medo e feliz está cheia de tempo e a cerveja tem medo das pirâmides. Como você lida com o sucesso internacional do seu trabalho?
Abujamra -
Eu sou paulista e sempre ouvi Bolero com música caipira, sushi com macarrão. Gosto de misturar porque sou misturado, eu realmente nasci numa cidade onde escutei tudo ao mesmo tempo e acho que tem muita coisa no universo além do nosso umbigo, por isso eu busco misturar tudo. Tem horas que fica feio... mas quando fica bonito é legal pacas.

Revista Errata - O Livro Multicolorido de Karnak está integralmente disponível para download, iniciativa muito bacana. Como você vê a questão dos direitos autorais e da propriedade intelectual nos meios audiovisual e ambiente?
Abujamra -
Olha... Esse lance de direito autoral é uma coisa que me enche o saco pacas. Claro que o artista tem que ganhar direitos, mas hoje em dia, com o advento do mp3 e da Internet, fodeu tudo; não tem mais como o cara fazer uma música e viver dela pro resto da vida. O lance é fazer 1.000.000 de músicas e tentar viver pro resto da vida (aliás quando a gente morre a gente pára de viver)... Esta aí mesmo vocês não falariam...

Revista Errata - O filme "Tropa de Elite" venceu o Urso de Ouro de Berlim, mas parece que o cinema nacional, em sua totalidade, ainda é engolido pelo grande urso branco do preconceito brasileiro. O que impossibilita a decolagem da produção nacional de cinema?
Abujamra -
Eu acho que a produção nacional já decolou faz tempo... Desde Carlota Joaquina, de 1995 (do qual, aliás, a música é minha).

Revista Errata - Você tem cara de quem bebe bem. Se eu te aliviar desta pergunta, você paga uma rodada?
Abujamra -
Só, doutores... Além de não beber nada, sou vegetariano. Água sem gás no camarim apenas. Mas te pago um gioza vegetariano.

Revista Errata - O cenário independente de música aqui no Brasil (no Brasil todo, inclusive na Guiana) vive um baita momento de ebulição, com festivais a rodo e muitas bandas legais surgindo. Qual é o ponto de ebulição do etanol?
Abujamra -
Myspace.com

Revista Errata - É verdade que se eu ouvir o seu último disco, o “Retransformafrikando” de trás pra frente, eu perco a garantia do meu som?
Abujamra -
Se você ouvir o meu cd Retransformafrikando de trás pra frente, ao contrário mesmo, você vai ver que eu falo sobre a teoria da puberdade mística dos anões pequenos da Áfrika meridional, mas se você ouvir de trás pra frente e de ponta-cabeça, aí você pode morrer porque o cd é comprido e o sangue pode escorrer pelo seu nariz.

Revista Errata - Se a gente te der um cabo telefônico, dois clipes, um livro do Woody Allen, cinco moedas, uma tampa de panela de pressão e uma senhora de meia-idade, o que você vai fazer que vai deixar o Hugo Chávez pau da vida com o Brasil?
Abujamra -
O livro do Woody Allen que se chama “Sem Plumas” fala, na página 45, sobre as mulheres de Lovborg, onde elas enforcam latino-americanos com cabos de telefone (sem clorofila, claro). As moedas são efêmeras perto da responsabilidade clínica pagã do século 21; a tampa da panela de pressão eu usaria como um chapéu novo do Karnak (que sim... Está voltando em 2008!) e vou fazer um show do Fatmarley pelado pro Hugo Chávez ou ficar puto, ou ficar morrendo de tesão.

Revista Errata - Com qual das alternativas abaixo você se relaciona mais? Por que?
a) Humor
Abujamra -
Eu falo tanta coisa triste nas minhas músicas...
Mas a galera ri.
Eu engano todo mundo.
No fundo, eu sou triste pra caralho.

Revista Errata - Você se incomodava quando era confundido com o seu pai? E com o Faustão? Falando em Provocações, manda um pensamento pessimista para os nossos leitores?
Abujamra -
Eu amo meu pai. Ser confundido com ele é um presente.
O pensamento pessimista é... Tudo piora!

BATE-BOLA:
- Rockgol da MTV

Legal... Mas a molecada só sabe que eu jogo mal... Nem sabe o que eu faço nessa vida.
- Otto
Maluco beleza... Dei um Djembe pra ele.
- Aurora Boreal
Raridade que não custa caro, mas ninguém vê.
- Jesus
Respeito muito, assim como Ghandi.
- Mama África
Minha religião é o Candomblé, sou metade libanês, metade italiano e o resto é do Brasil, mas a alma é africana sempre.
- Chineses
Clonaram um microfone Noiman muito bem, “Made in China” rocks!
- Barack Obama
Puta nome de banda de World Music!

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Errata Jornalismo: Silly Walk Brasil

O 1° Silly Walk Brasil foi um sucesso! Ao menos, foi o que nos disseram. Sim, não comparecemos ao evento... Pequenos contratempos. Nunca faça uma orgia com anãs, fica aqui nosso conselho.

Apesar de nossa ausência, prometemos uma matéria sobre o Silly Walk Brasil, não prometemos? Como palavra dada pelos doutores do blog do site da revista do grupo de humor nonsense Errata não é só um conjunto de letrinhas, mas sim um conjunto de letrinhas sem sentido, contaremos aqui uma historinha baseada em fatos... duvidosos.

Fingindo que estávamos lá no vão livre do MASP, vimos um radiante grupo de serelepes adjetivos pululando ao som de Walk This Way (Run DMC version), enquanto substantivos e advérbios discutiam nomes e lugares ideais para batizar e acomodar o grupo de Silly Walkers que se aproximava dali de maneira trôpega e... silly. Um dos membros do grupo andava perigosamente no meio-fio e coroava cada passada com um demi plié, exclamando “Caminhar é preciso”! Ao ouvir a frase, um substantivo esquisito gritou: "Ai, ele usou um adjetivo". É claro que depois disso, começou a garoar.

Se estivéssemos lá, notaríamos que alguns Silly Walkers inovaram na caminhada e criaram seus próprios passos. Houve o Silly Crab e o Silly Siri, acompanhados por salada de agrião e molho tártaro. Uma delícia úmida. Pô, sai anã!!! Que saco!!!

O repórter Uchu Enjin, da TV Fuji do Planeta: Terra; Cidade: Tóquio, ria o tempo inteiro. Achava engraçada a maneira ocidental dos brasileiros. "Mas estamos no Ocidente, Uchu Enjin", diríamos se estivéssemos lá. "Puxa... Meu mapa-mundi está de ponta-cabeça"!, ele responderia.

Enquanto os participantes celebravam o evento caminhando de um lado para o outro (alguns inclusive, de cima para baixo), policiais cantavam alegremente a música "Marcha Soldado". A garoa persistia e perceberíamos – se lá estivéssemos – que o Silly Walk Brasil guardava parentesco com a dança da chuva dos índios Txucarramãe. Oswaldo Montenegro chegou neste momento, sem saber que havia ali um movimento Silly Walk. Ainda assim, foi eleito o melhor dos participantes pelos transeuntes.

Finalmente, o único participante médium do evento, que já havia incorporado diversos espíritos zombeteiros até aquele momento, gritou "Alegrai-vos, nonsenses, nós vencemos"! "Vencemos o quê"? perguntaríamos se lá estivéssemos, mas ele não respondeu. Caiu morto no quilômetro 42 da Avenida Paulista. Uma marca de pneu atravessava seu peito. Choveu torrencialmente.

Ignorando o defunto, Tiago "Mad Max" Andrade, organizador do evento, deu por encerrado o flash mob. Não, ele não é a cara do Mel Gibson; mas veio do futuro, ali das proximidades do fim do mundo! Hã... Quê? Ah... "Shhhh!" Acompanhe aqui uma exclusiva que conseguimos com ele. E até uma próxima vez, caso a gente compareça!

ENTREVISTA: Tiago "Mad Max" Andrade
Organizador da 1ª Edição do Silly Walk Brasil

REVISTA ERRATA - A 1ª edição do Silly Walk Brasil ter acontecido no hemisfério Sul do terceiro planeta nonsense deste sistema solar esquisito é algo meramente circunstancial, ou o Ministério de Londres encerrou mesmo suas atividades?
TIAGO "MAD MAX" ANDRADE -
Na verdade, o Ministério inglês, embora não tenha encerrado suas atividades, vem deixando muito a desejar em relação à organização de eventos para apreciação do silly walk em todo o mundo. Por meio de nossa passeata, buscamos protestar também contra a opressão que nossos colegas da terra do Neil Gaiman sofrem. Se bem que tudo isso pode ser apenas um plano dos ingleses para dominar o mundo...

REVISTA ERRATA - Qual foi a importância de Albert Cooper para o Silly Walk Brasil e quais são as suas principais bandeiras? (as do movimento, não as da importância, nem as de Albert Cooper)
TIAGO -
A gente sempre busca realizar plenamente seus ensinamentos - "deixar Cooper feito", diríamos. Já a principal bandeira do movimento é a do Nepal (bontininha, com aquele formato engraçado)

REVISTA ERRATA - Numa próxima edição do evento, cadeirantes e figuras folclóricas como Stephen Hawking e o Saci-Pererê poderão participar sem a necessidade da adoção de uma política de cotas pela direção do evento?
TIAGO -
Esta é uma questão pertinente, que já foi encaminhada ao Ministério. Bastará às figuras mencionadas preencherem um formulário em 23 vias, autenticá-las e esperar seis meses até que se resolva carimbar todas elas e emitir uma autorização.

REVISTA ERRATA - Falando nisso, o Zombie Walk é um movimento co-irmão? Mortos-vivos têm um silly walk específico, mas que transborda em potencial artístico. Uma união dos movimentos não significaria uma ponte entre os planos físico e metafísico? Esta pergunta foi psicografada pelo espírito de Geraldo Vandré, o florista.
TIAGO -
Foi discutida durante o evento a possibilidade de integração dos movimentos, mas isso depende dos zombie walkers pararem de tentar devorar os céreros dos silly walkers. Se bem que, como diria Vinícius Schiavini, "a Zombie Walk é um evento meio morto".

REVISTA ERRATA - Discorra sobre o papel do Silly Walk Brasil como o primeiro passo rumo ao fim do mundo (ou não, mas aí com sotaque baiano, s'il vous plaît).
TIAGO -
Na verdade o mundo já acabou, mas esqueceram de nos avisar. Ou melhor, a carta nos avisando voltou por falta de selos.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

ENTREVISTA 033: André Dahmer (Malvados)



Ele não é o gato do Gargamel, mas é cruel. Não é efervescente, é ácido. Gosta de petúnias, mas não é nenhuma flor que se cheire. Ele é: MALVADO! André Dahmer (http://www.malvados.com.br/) se alimenta da desgraça alheia e o que sobra é um banquete servido quente para seus leitores, mas num prato frio... Dahmer nos recebeu na porta de sua casa e... nada, nem um cafezinho, aliás, a entrevista foi ali mesmo, na porta. Foi intolerante às risadinhas que dávamos a cada cinco minutos e tivemos que mandar o Dr. Albieri pra casa, quem tolelaria? Fomos tolerantes à intolerância e ele acabou tolerando nossa tolerância à sua intolerância, que diga-se de passagem, foi intolerante. O telefone tocou e ele foi atender, demos uma espiada e vimos um vaso de flores perto da tv Philips HDTV de 48 polegadas. Duas horas depois ele aparece com uma pintura e disse: “eu pinto também” e completou: “eu tinha esquecido de vocês”. Durante a entrevista, Dahmer desamarrou os cadarços dos nossos tênis, nos fez comer bolinhos de fubá sem cafezinho, foi intolerante mais umas três vezes, nos mostrou o seu mapa da blogosfera dizendo que era o maior que a gente encontraria e, entre um gole e outro de vinho, respondeu nossas perguntas... olhando pro céu.

Revista Errata - Com este seu sobrenome alemão de canibal americano, os Malvados são então uma expressão artística que está salvando o mundo de todo o seu real potencial?
Dahmer - É, tem esse meu primo guloso de Milwaukee, né? Sempre me perguntam isso em entrevistas. O cara matou, cortou e comeu mais de uma dezena de garotos há uns dez anos. Soube depois que mataram o cara na prisão um tempo atrás. Bem, eu até gosto de carne, mas realmente canibalismo não está na minha área de interesse...

Revista Errata - Peraí... O Hitler também pintava...
Dahmer - O Hitler era um pintor mediano, provavelmente não tinha sensibilidade suficiente para ingressar numa carreira de pintor. Ele foi rejeitado na academia de Belas Artes, mas isso não é desculpa para fazer o que ele fez.

Revista Errata - Falando em Alemanha, o seu humor tem um tom à inglesa que, curiosamente, não pega bem em outras mídias no Brasil. Esta é realmente uma influência no seu trabalho ou eu não deveria misturar meu remédio com cerveja?
Dahmer - Eu até gosto do humor inglês, mas mesmo assim você não deveria misturar o seu remédio com cerveja...

Revista Errata - O termo kuba-walda, em linguagem germânica antiga, significa "administrador do lugar". Esta afirmação está certa ou errada?
Dahmer - Estudei alemão apenas até a quinta série, mas provavelmente vocês estão de sacanagem comigo.

Revista Errata - E como é que você vê a produção de humor brasileira? Aproveito pra dizer que nós achamos o seu humor muito engraçado. E você?
Dahmer - Temos grandes comediantes no Brasil, pena que a maioria deles está em Brasília atrapalhando o trabalho dos outros. A segunda pergunta é para responder?

Revista Errata - Cinema, livros... O que você anda consumindo? Perceba: "cinema, livros..."
Dahmer - Não gosto de ir ao cinema, todos eles estão alocados dentro de shoppings hoje em dia, é um inferno. Também não sou fã de lugares cheios de gente. Sobre os livros, minha mulher gosta muito de literatura e temos em casa um quarto só para eles. Gosto de tudo um pouco, mas tenho lido mais quadrinhos. Apesar da minha profissão, ainda conheço poucos quadrinistas, li pouco sobre o assunto mas o chargista Leonardo está me ajudando a conhecer os autores.

Revista Errata - E filosofia? Várias das tiras dos Malvados têm base filosófica. Qual é o seu interesse no assunto?
Dahmer - Hoje em dia tenho pouco interesse pela filosofia. Li os autores mais importantes, gosto especialmente de Cioran e Schopenhauer, mas é uma roupa que já não serve mais em mim.

Revista Errata - Por que você matou a Rê Bordosa?
Dahmer - Ela começou, eu apenas me defendi...

Revista Errata - Você é bom em matemática? Por quê?
Dahmer - Fui bom aluno de matemática e joguei mais de 3.000 partidas de xadrez até os 17 anos, com um amigo de infância que é quase meu irmão. Anotávamos partida a partida, mas eu ganhei apenas um terço delas. O cara era muito bom...

Revista Errata - Além do site, aonde mais a gente pode encontrar o teu trabalho?
Dahmer - No Jornal do Brasil, na Folha de São Paulo, na Sexy Premium, no Portal G1...

Revista Errata - O que você acha das Petúnias?
Dahmer - Petúnias, begônias, orquídeas...gosto de tudo. Tenho um orquidário no meu sítio em Friburgo e gosto muito de rosas também. É um hábito normal, amigos. Sempre tem esse forte interesse por minha predileção por flores, mas é um hábito normal.

Revista Errata - Deus é malvado?
Dahmer - Deus é como a crase: não foi feito para humilhar ninguém. Se Deus existe, não é um Deus que castiga o garoto que matou aula, pode ter certeza.

Revista Errata - Mas não me sai da cabeça esse negócio de flores malvadas... Não tinha um escritor que traficava armas? Não... Q-Quero di-dizer... Ele... traficava... flores! Era o Exupéry!!! Dahmer, a g-g-gente já está de sa-sa-saída... Uma última pergunta: tirando dizimar uma etnia, quais são teus planos imediatos?
Dahmer - Pretendo lançar outro livro pela Desiderata, já está meio que acertado entre eu e a editora. Mas farei sem pressa.

Revista Errata - Uma ameaça para os nossos leitores?
Dahmer - Não é necessário, estar vivo é correr riscos...

Então, um abraço e... HEIL, DAHMER!!!

BATE-BOLA:
- Finada revista Mosh
Li algumas e sou amigo dos editores. Foi uma iniciativa muito corajosa, estão de parabéns.
- O número 42
Tenho uma ligação muito forte com a sorte, com o azar e com as coisas que envolvem esses dois assuntos, números inclusive. Mas não chega a ser uma doença, ainda...
- Los Três Amigos
Fodões, de verdade. Quando encontro um deles, fico tremendo como uma moça.
- Casseta e Planeta
Não vejo muita televisão, mas boto fé neles.
- Zorra Total
Não vejo graça alguma, na verdade é quase triste.
- South Park
Nunca parei para assistir, mas assim como os Simpsons, parece interessante.
- Cabelo na comida
Não gosto, mas respeito quem gosta
- Monty Python
Muito bom, mas não chego a ser fã...
- Hermes e Renato
Conheci há pouco tempo, achava que era ruim e que só tinha palavrão por palavrão, não gostava. Depois assisti "Tela Class" e morri de rir, é maravilhoso. Os caras são toscos, mas são bons.
- Lingerie
Gosto das coloridas.

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segunda-feira, novembro 26, 2007

ENTREVISTA 012: Rosana Hermann (Pânico)

[ Entrevista com Rosana Hermann ]

Rosana Hermann tem muitos lados pouco conhecidos. É como a lua, antes de Louis Armstrong pisar lá em cima e dizer “cheese!” É escritora (a Rosana, não a lua), roteirista, apresentadora, diretora artística e – pasmem! – ainda cozinha que é uma beleza. Não? Mas... Ah, seu CURRÍCULO é uma beleza! Vocês põem estas letras miúdas aqui, querem o quê? Bom... Rosana já foi redatora de programas como Sai de Baixo e Domingão do Faustão, colunista de diversos jornais e revistas e, em noites de céu aberto, é possível observar o cheese, digo, fruto da sua participação (da Rosana, não do Louis) na *equipe de criação e redação do Pânico na TV, da RedeTV! e da rádio Jovem Pan. Eu disse que a espevitada ragazza ainda mantém seu próprio blog - o Querido Leitor - e é colunista de vários outros blogs na web e fora... dela...? Mas quem foi que escreveu este biográfico?!?

Nesta entrevista, Rosana viaja na verdadeira maionese e relembra os melhores momentos da tabuada do seis ao som de Blue Moon, em versão executada pelo Trio Los Angeles. Que venham as palavras! Cheese!!!

Revista Errata - Rosana, você é judia, filha de alemães, casou-se com um psiquiatra e é física nuclear. Primeira pergunta: você é uma pessoa vingativa, ou podemos relaxar?
Rosana Hermann - Eu sou chata, implicante, crítica e sincericida. Mas na minha coleção de defeitos faltou a vingança. Relaxa. Mas se for pra gozar, por favor, use o recinto ao lado.

Revista Errata - Entre rádios, redes de televisão, humor, literatura, economia, revistas, internet e igrejas, o que você estava fazendo no dia 20 de agosto de 1985?
Rosana - Era uma terça-feira. Eu tinha acordado às 5 da manhã com a conta bancária no vermelho. Saí da jaula e fui fazer as 40 notas datilografadas para a Rádio Antena-1 FM. Fiz o café do cachorro, dei pinga pro papagaio e escrevi o roteiro do programa ao vivo da Band. Entreguei-o na produção. Voltei pra casa, tomei banho e fui para a Rádio Jovem Pan FM fazer o “Boi na linha” com o Emilio Surita até tarde da noite. Depois eu jantei e fiz sexo, não necessariamente nesta ordem. Hoje, minha vida é totalmente diferente. Acordo às 6:20h e tenho uma caderneta de poupança. Somos 4 na mesma jaula. Faço 40 notas digitadas para blogs todos os dias. Sirvo o café do meu cachorro. Escrevo roteiros para o Pânico na Rede TV e envio-os por email. Trabalho com o Emilio Surita até tarde da noite, na mesma Rádio Jovem Pan FM. Não me lembro direito, mas ontem à noite deixei de fazer alguma coisa. Só não sei se foi jantar ou fazer sexo. Meu papagaio parou de beber, mas fuma sem parar até a hora de fechar o bingo.

Revista Errata - Com a experiência que você tem, já deve ter enfrentado incontáveis problemas com o ego. Ele é uma invenção argentina como o dentista e o pedágio? E é um problema num grupo grande como o Pânico?
Rosana - O ego é um erro de tradução para a língua inglesa, que emprestou a palavra do latim. Freud escrevia em alemão e definiu o “Das Ich”, “O Eu”. Portanto, ego é só coisa pra inglês ver. Só eu existo. Tá bom, existem outras pessoas também, o que me causa muita revolta em alguns momentos. O Pânico é um grupo grande, sim e difícil de controlar. Felizmente, graças ao nosso equilíbrio instável no auge do sucesso e as freqüentes espinafradas do público, da crítica e do ministério público, estamos conseguindo manter nossos egos dentro dos padrões do Inmetro.

Revista Errata - Você costuma utilizar um palavreado mais coloquial com seus leitores, mas colóquiu (do latim colloquiu) não é uma palavra lá muito coloquial. Por isso faremos uma campanha para banir esta palavra quando usada para descrever uma conversação coloquial. Enfim, você acha que existe uma censura velada no Brasil? Há incoerências na determinação de horários em que alguns programas podem ou não ser exibidos?
Rosana - Somos o país da incoerência, da hipocrisia, do disfarce. Ninguém pode ficar pelado na TV, mas no carnaval pode, porque está 'em contexto'. Aliás, a mulherada não pode ficar totalmente nua, tem que ter tapa-sexo e meia calça. A brasileira, aliás, deve ter o menor sexo do mundo em área, porque com duas purpurinas a Globoleza já tapa tudo. No Brasil tudo é velado, até morto.

Revista Errata - Você é blogueira desde 1999 (com certeza, uma das precursoras dos até então desconhecidos "diários virtuais" aqui no Brasil), hoje é uma das mais conhecidas no meio e, provavelmente, é a mais ativa - sempre buscando e incorporando novidades que... Eu tinha que colocar uma pergunta inteligente aqui. Vai, me ajuda!
Rosana - Sério? Eu achei que a pergunta inteligente era aquela do ego! Nossa, como eu sou burra!

Revista Errata - Rosana... 1, 2, 3, “spin”, 5, 6, 7, “spin”, 8, 9, 10...
Rosana - Depende. Se você estiver tentando ensinar os passos da “dança do siri”, está certo.

Revista Errata - O presidente Lula faz comparações em seus discursos como se fossem parábolas. Ele é um "Salvador" que não deu certo? Devemos crucificá-lo? Não vale lavar as mãos, nem citar o Sassá Mutema.
Rosana - O Lula fala errado por granjas tortas. Mas tudo bem, porque parábolas são parábolas, nada mais que parábolas. Eu votei no Lula, por um problema de link. Eu achava que clicando na ignorância e na pobreza eu ia abrir um hotsite da honestidade. Mas acho que o firewall da realidade e o bloqueador de pop-up da esperança estavam ativados.

Revista Errata - O humor parece estar na sua vida como o feijão está para o arroz, o horário político está para a TV por assinatura e este blog está para ser fechado... Não, isso não! Quais humoristas ou grupos de humor estão entre os prediletos da Rosana Hermann? E do Pelé?
Rosana - O humor está em minha vida em arroz integral, entende? E meu blog, eu dedico às criancinhas. Humor? Eu detesto gente Zé Graça, que se sente na obrigação de ser engraçadinho. Eu adoro gente espontânea, que faz graça sem querer. Gosto de humor sacado e de humor nonsense. Gosto do super elaborado e do imprevisto e detesto o decorado meio termo. Odeio humor chulo, primitivo, que acha que a coisa mais engraçada do mundo é falar de cocô. Se cocô fosse engraçado, o faxineiro do banheiro da rodoviária seria a pessoa mais feliz do mundo.

Revista Errata - Se a gente usasse aqui no blog a frase “um abraço, um podcast e uma foto no Everest”, você nos processaria? Aproveite e deixe um beijo e um cheese para os nossos leitores!
Rosana - Eu me sentiria lisonjeada e ainda daria os parabéns. Rimar podcast com Everest é muito bom. Para os seus leitores, deixo um cheese cake com calda de frutas vermelhas, um café com adoçante e a conta pra você pagar. E uma última pergunta: tem como carimbar o papelzinho do estacionamento?

BATE-BOLA:
- Um sinônimo
Jerônimo
- Djalma Jorge
Um homem, um mito, um pastel de palmito
- Pastel de pizza
Não nos responsabilizamos pelas queimaduras provocadas pelo tomate quente
- Scrubs
Sdruvs
- Telefone da Sabrina Sato
Sony Ericsson
- Robert Crumb
Muito Robert
- Sonho de consumo
Vida ideal: transar sem procriar, comer sem engordar e ganhar sem trabalhar

*nota: Rosana Herman não faz mais parte da equipe do "Pânico". Tem contrato assinado até março de 2010 com a Band.

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segunda-feira, outubro 22, 2007

ENTREVISTA 043: Maurício Ricardo (Charges.com.br)

 [ Entrevista com Maurício Ricardo ]

Maurício Ricardo Quirino, um lindo nome composto e também um seminovo pai de família, que atuou como jornalista por profissão, mas que agora gosta de fazer rir por opção e enriquecimento lícito. Por que não? Ele também toca baixo, canta e encanta com seu sorriso... Na boa, isso é realmente necessário? Criador do site de humor Charges.com.br (campeão de acessos e do XI Torneio Interestadual de Truco, realizado em Belo Horizonte) é ele mesmo que faz praticamente tudo por lá: desenho, animação, roteiro, música, voz, dança de salão, expressão corporal, entre outros. Com isso, contribui para o alto índice de desemprego de Uberlândia (MG), segundo balanço divulgado, recentemente, pelo Ibope/NetRatings. Agora misture tudo isso a uma boa dose de humor crítico até obter uma massa homogênea. Despeje uma colher (sopa) da massa em formas individuais e está pronto pra ser servido!
Nesta entrevista, Maurício conta como faz para manter sua franja sempre lisinha e fala mais sobre suas inspirações para criar uma nova charge todos os dias. Isto envolve sua jeitosa secretária: uma loira fogosa com boca de veludo.


Revista Errata - Maurício, você tem uma seção no site em que responde aos e-mails dos internautas e, invariavelmente, surgem pedidos de aconselhamento. O que você aconselharia pra pessoas que, como nosso estagiário, foram demitidas porque assistiam a uma charge sua em horário de expediente?
Maurício Ricardo - Vire um empreendedor. Monte seu próprio negócio. Livre-se de patrões idiotas que querem controlar o que você vê na Internet. Tenha a liberdade de navegar o dia inteiro se quiser, e descubra que nunca mais terá tempo pra isso.

Revista Errata - Quais são as sete maravilhas de Uberlândia pra você não sair daí de jeito nenhum?
Maurício - 1- Apartamento em frente de uma praça bucólica, a dois quarteirões do estúdio e quatro quadras de um shopping com dez cinemas. 2 – Ganho diariamente em produtividade aquelas duas horas que os paulistanos e cariocas perdem no trânsito. 3 – Churrascaria rodízio com picanha maturada, ótimas guarnições, lugar bonito e ar condicionado por R$ 10,90 no jantar. 4 – Sogra legal, que cuida das crianças pra eu viajar com minha mulher. 5 – Tempo de almoçar com os meninos e busca-los na escola. 6- É muito mais difícil fazer qualquer coisa escondido. Isso ajuda a manter o casamento. 7 – London Pub, bar de rock onde toco com diferentes bandas há quase 20 anos.

Revista Errata - Já rolou um encontro casual com algum dos políticos homenageados nas suas charges? Não precisa falar dos mortos, não queremos comprometê-lo.
Maurício - Claro que não. Onde iria encontra-los? Urubu não voa com pomba! Mas já fui processado pelo Maluf e pelo Quércia, o que muito me orgulha.

Revista Errata - Maurício, você sentiu minha falta?
Maurício - Não. Fui logo no Jô e no Marcelo Tas, porque tenho minha dignidade e a fila anda.

Revista Errata - Em 2004, você lançou um livro, o "Jeitosinha, mas Vagabunda" e hoje o seu trabalho ultrapassou a barreira entre Internet e televisão; ainda assim, você não abandonou a web. A Internet é mesmo o espaço mais democrático para publicação independente? Você tem 94 palavras para responder esta pergunta.
Maurício - Não abandonei a Internet por vários motivos, inclusive porque ela ainda é meu principal ganha pão: O livro foi um fracasso de vendas e a TV dá muita exposição e pouco dindim. Mas claro, ainda que eu ganhasse a Mega Sena acumulada, jamais abandonaria a web antes dos internautas me abandonarem. Tenho muito orgulho de fazer parte da história da Internet brasileira. Cheguei numa fase muito interessante, quando ainda não havia quase nada e, por isso, ninguém estava preso a paradigmas. Pronto. Estão aí suas noventa e quatro palavras, considerados os artigos e conjunções.

Revista Errata - Maurício, a existência de Honduras não te perturba?
Maurício - Não me encostando, tudo bem.

Revista Errata - Então me diz o que mudou no processo de criação das charges animadas, do início do site até hoje? E o que mudou em seu âmago durante o processo desta entrevista, do início até agora? Pera aí, âmago não é sinônimo de glúteos, né?
Maurício - Não, mas as Honduras podem atingir o âmago dos seus glúteos, se você for chegado. Quanto à Internet, mudou muita coisa. Muda tudo todo dia, numa velocidade alucinante. Por isso é que eu tenho que caminhar, meditar e de vez em quando tomar uns remedinhos.

Revista Errata - Certas coisas, a gente acha que só acontece com os outros. Você, como pai de dois filhos, pode ser que até evite pensar na possibilidade remota disto vir a acontecer - pelo embaraço e certa decepção que a descoberta tende a gerar - mas enfim, qual seria sua reação se, um dia, um filho seu resolvesse se assumir e lhe confessasse: "Pai, eu sou emo”?
Maurício - Sou um pai liberal. Mas acho que a pessoa só pode ter vícios quando tem condições financeiras para arcar com eles. Eu jamais pagarei uma escova progressiva.

Revista Errata - Faz um versinho para os nossos leitores?
Maurício - Este verso que lhes dou / Não é o melhor que eu tenho / Meus versos bons sempre guardo / Pra usar em algum desenho.

BATE-BOLA:
- Charles Schultz

Viva o Charlie Brown que não é júnior!
- Políticos brasileiros
São o Brasil de gravata.
- O alfabeto grego
Entendo melhor de churrasco grego.
- Pão de queijo
Tá na cesta básica.
- Diogo Mainardi
Já que não tá usando, me empresta o apartamento de Veneza?
- A espinha e a fimose
Memórias exacerbadas.

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