segunda-feira, janeiro 28, 2008

Chúxī (除夕)

Liu Pai Lin viu Tchi A Mat na estação de trem da cidade de Tao Kung Chuan, China setentrional. Tchi A Mat estava parada na plataforma de Tui Shou. Apenas para passar o tempo enquanto esperava o trem, desenvolvia uma solitária luta coreografada em câmera lenta. Liu Pai Lin ficou encantado com a beleza do corpo de Tchi A Mat quando ela saltou sobre os trilhos e ricocheteou rumo à parede leste da estação, andando cerca de doze metros no teto enquanto se concentrava num item específico das palavras cruzadas Koh Q Telu: “Uma das três áreas do conhecimento da medicina tradicional chinesa que integram o conjunto das práticas milenares taoístas (5 letras)”:

- “Tai Na”, ela disse em voz alta e escreveu no espaço devido, deslizando do teto pela parede para voltar suavemente ao ponto de origem de sua breve série acrobática. Bocejou.

Foi neste instante que Liu Pai Lin criou coragem para cortejá-la. Respirou fundo e aspirou forte em kiai, tremendo a cabeça. Pôs-se a andar suavemente, deslizando os pés sem retirá-los do chão. Assim que se aproximou de Tchi A Mat, percebeu que em seus cabelos havia um pequeno ninho de grous-de-pescoço-negro, onde uma dedicada mãe alimentava três filhotes. Liu Pai Lin ficou extasiado ao ver os pássaros tão tranqüilos após aquela movimentada série acrobática.

Estava a dois passos de Tchi A Mat quando o trem chegou. Suas portas se abriram e exatamente um bilhão, quatrocentos e noventa e três milhões, setecentos e cinqüenta e quatro mil, cento e dezevone chineses desceram naquela estação, arrastando nossos dois protagonistas para fora da plataforma e além. Tchi A Mat e Liu Pai Lin foram empurrados pela enxurrada humana por dezessete longos anos planeta Terra afora. Durante este período, Liu Pai Lin conseguiu se comunicar com Tchi A Mat, ora gritando interjeições, ora fazendo sinais. Completaram as palavras cruzadas de Tchi A Mat apenas dois anos depois que as portas do trem se abriram. Quando completaram dezessete anos de arrasto, chegaram ao outro lado da estação. Poderiam enfim conversar em paz.

Liu Pai Lin a fitou e sorriu. Caminhou até ela e disse:

- Uma das três áreas do conhecimento da medicina tradicional chinesa que integram o conjunto das práticas milenares taoístas com 5 letras não é “Tai Na”. É “Tao In”.
- Não importa – ela respondeu – Perdi minha Koh Q Telu no quinto ano de nossa jornada.
- Os grous-de-pescoço-negro estão bem? – perguntou Liu Pai Lin.
- Sim – ela respondeu – E já estão na trigésima quarta cria.
- Assim será conosco, Tchi A Mat – disse Liu Pai Lin. apertando Tchi A Mat em seus braços enquanto ela serpenteava uma nova coreografia acrobática.

Daquele amor nasceram 23 filhos ilegais.
Estes lhes deram 457 netos ilegais.
Coroando o amor dos avós, 9140 bisnetos ilegais foram celebrarados.

Nosso casal original viu apenas o nascimento do primeiro de seus 27423 tetranetos ilegais, o pequeno Yo-Zhang. Nasceu no dia do ano novo chinês e, no futuro, seria o primeiro chinês a receber o prêmio Nobel de Literatura. Ele era estéril e gostava de grous-de-pescoço-negro ao molho shoyu acompanhados de rato à milanesa. Era um cara legal e nunca andou de trem.

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terça-feira, janeiro 08, 2008

20 dicas para entrar no ano novo ortodoxo com o pé direito

Texto traduzido e adaptado do original, escrito pelo ucraniano Deda Mraz em 7 de janeiro de 1958.

1 – Por favor, limpe os pés antes de entrar;

2 – Descubra qual o seu pé direito;

3 – É aquele que você usa pra chutar macumba;

4 – Caso você seja canhoto, use o pé de apoio;

5 – Levante-se do chão;

7 – Use o pé esquerdo como pé de apoio;

8 – Caso você não tenha o pé direito, peça um emprestado praquele seu vizinho leproso;

9 – É aquele que ele usa para coçar as costas;

10 – Caso você seja paralítico, peça para que um amigo empurre sua cadeira de rodas com o pé direito;

11 – Caso ele seja canhoto, peça pra que use um pé-de-cabra;

12 – Levante-se do chão;

13 – É um milagre!!

14 – Ahh, o caso é que você não tem amigos? Então, conquiste algum pela internet;

15 – Sei lá! Chat, MSN, Orkut, se vira!

16 – Sem sucesso? Você deve ser muito chato;

17 – Não! Eu não quero ser seu amigo!

18 – Descubra uma forma lenta e dolorosa para cometer suicídio;

19 – Google, cacete!

20 – Clique aqui.

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segunda-feira, janeiro 07, 2008

A Estranha Bulgária

Há exatamente... exatamente... er... (espera)... AH, SETE!... Há exatamente sete dias, a humanidade realizou o maior flash mob de sua história ao olhar para o céu com a boca aberta e assistir à explosão de milhares de ÓVNIS ao redor do mundo quadrado em que vivemos para a celebração do ano novo, mas a chegada de 2008 foi saudada de diversas outras formas por diferentes povos: houve um foguetório na França, um pandemólio no Quênia, um capitólio nos Estados Unidos e a explosão de um mictório em Bermudas (o filho de Long Dong Silver livrou-se de uma pedra nos rins e passa bem obrigado). Mas isso nada tem a ver com a história a seguir. Bom, até tem mas... Dr. Gori, me empresta o seu telescópio? O que é aquilo voando em direção à lua?

A REVISTA ERRATA ALERTA: os eventos descritos abaixo podem causar palpitações, perda do sono, febre alta, cólicas, espancamentos, saltos com vara e um tique nervoso conhecido por “morte lenta seguida de ressurreição em três dias e posterior subida aos céus”.

Apesar de toda a alegria que a vinda do ano novo causou, um país dos Bálcãs não achou graça alguma por considerar a piada velha e repetitiva... Não, tô brincando. A Estranha Bulgária, um pequeno país limitado a norte pela Estranha Romênia, a leste pelo Mar Negro, a sul pela Estranha Turquia e pela Estranha Grécia e a... humm... OESTE!... e a oeste pela Bruxa Má (não é Estranha?... estranho), não teve o que celebrar porque a virada para 2008 não aconteceu naquele país. A Estranha Bulgária ainda está em 2007. Mas quem se importa? Eu, oras! Quê? 2h30?

Decidido a investigar o fato, pesquisei no Google a melhor maneira para chegar na Estranha Bulgária mas ei, camelos têm uma, duas ou três corcovas? Por sorte eu conheço uma capivara chamada Shiva que mora em Bombaim, na Estranha China, país vizinho da Estranha Bulgária a... a... norte já foi... a... a... ATCHIM! Desculpa. Shiva é tratada por um pequeno e estranho chinês que realiza qualquer trabalho em troca de coelhinhos azuis de pelúcia. Foi assim que Chan-Sons D’a Mour tornou-se nosso correspondente nesta missão jornalística. Chan-Sons, a palavra é sua, mas o telescópio é só emprestado, viu?

- Doutolo Bannele, é tellível! A Estlanha Bulgália continua na noite de 31 de dezemblo de 2007! Todos os lelógios estão malcando 23h59! As pessoas ainda estão nas luas, sem dolmili há sete dias e muitas já peldelam as espelanças de vele 2008 acontecele no país. É uma tlagédia. Nada de foguetólio, nem uma bilibinha foi estoulada. A única coisa difelente que vi nos céus da Estlanha Bulgália foi um mictólio olbitando a Lua. A Lua, não a lua. Este telescópio é muito bom! Made in Stlange China!

- Mas Chan-Sons D’a Mour, há alguma explicação sobre o não-acontecido?

Ele não respondeu, porque estávamos nos comunicando por fax e fiz a pergunta em voz alta. Espera:

- TUIIIICHUNKCHUNKCHUNKCHUNKCHUNKCHUNKTUIIII!

Chan-Sons, recebeu? Tá legível? Putz, perguntei em voz alta de novo...

- TUIIIICHUNKCHUNKCHUNKCHUNKCHUNKCHUNKTUIIII!

Esperei o máximo que pude antes de publicar este texto, mas não obtive retorno de Chan-Sons D’a Mour. Provavelmente ele recebeu o fax e respondeu em voz alta. Algum de vocês está com um tique nervoso muito chato? Não respondam em voz alta. Alguém pode achar estranho.

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